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AQUA Bairro, a nova certificação

Depois dos edifícios comerciais, residenciais e de serviços, a certificação Aqua – concedida pela Fundação Vanzolini – é ampliada para loteamentos, condomínios e bairros. Em dezembro do ano passado foiconquistada, na fase Programa, pelo condomínio que será construído em São Carlos, às margens da rodovia SP-318, no interior de São Paulo.

Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do Processo Aqua, informa que o condomínio residencial Damha Golf I, da Damha Incorporadora, atendeu às exigências de sustentabilidade com soluções que garantem que o projeto seja sustentável, construído e utilizado com impactos ambientais reduzidos. “Após uma auditoria presencial com duração de dois dias ficou provado que o projeto atendeu às categorias do Processo Aqua para bairros e loteamentos”, afirma Martins. Ele informa que do total de 17 categorias o Damha Golf I teve oito avaliadas em nível excelente; quatro atingiram o nível superior e cinco o nível bom. “A certificação visa à realização de empreendimentos integrados a seus territórios, com impactos sobre o meio ambiente controlados, levando em conta o conjunto de seu ciclo de vida, de modo a favorecer o desenvolvimento econômico e social, bem como a promover a qualidade de vida. Tem a preocupação de conjugar os pilares econômicos, sociais e ambientais do desenvolvimento sustentável”, explica Martins.

Segundo o coordenador, o referencial técnico tem um regulamento que explica passo a passo as etapas de certificação, e se constitui de quatro elementos: regulamento; requisitos do sistema de gestão; indicadores divididos nos níveis bom, superior e excelente; e o guia. São propostos 17 temas ligados a processos de assentamento urbano sustentáveis, de modo a auxiliar a definição do projeto a partir de uma abordagem global e transversal. Esses temas são agrupados em três grandes objetivos de desenvolvimento sustentável: assegurar a integração e a coerência com o tecido urbano e as outras características do território; preservar os recursos naturais e melhorar a qualidade ambiental e sanitária do bairro; promovendo a integração na vida social e fortalecendo as dinâmicas econômicas. “A integração e a coerência do bairro no tecido urbano e outras escalas do território podem ser feitas, inclusive, por um condomínio fechado, desde que ele se integre e seja coerente com o bairro”, observa o coordenador, que continua: “A interação com os vizinhos envolve questões como sua densidade de ocupação; como será valorizado o meio de transporte de menor impacto ambiental; a acessibilidade; ações previstas para preservação do patrimônio local, a valorização e proteção da paisagem; e a flexibilidade dos espaços em função do desenvolvimento de novas necessidades”.

Essa integração pode ser promovida por elementos que já existem no território onde o condomínio irá se instalar ou que serão providenciados pelo empreendedor. É o caso do condomínio Damha Golf I, em São Carlos, planejado para se implantar em área próxima a um parque tecnológico – polo gerador de trabalho para os futuros moradores.

Outro conjunto de ações sustentáveis abrange os recursos naturais e a qualidade ambiental e sanitária, constituídas pela economia de água e de energia, materiais e equipamentos urbanos. “Quanto mais amplo for o território, maior a exigência de equipamentos urbanos, ou de estar perto de alguns”, comenta Martins. Acrescenta-se, ainda, iniciativas para a gestão de resíduos; ecossistema e biodiversidade naturais e tecnológicos (por exemplo, risco de inundação); e saúde. “Nesse conjunto, existem alguns requisitos a serem exigidos dos futuros condôminos que irão construir suas moradias ou, em um condomínio industrial”, explica.

O terceiro item é composto pela economia do projeto, as funções (moradia, indústria, comércio) e a pluralidade econômica e social – de uma ou de várias classes sociais. “Para que o condomínio alcance um nível bom, devem existir, pelo menos, duas tipologias de construção, ou seja, o ideal é que o condomínio abrigue, pelo menos, duas classes sociais distintas. Com três, atinge o nível superior e com quatro, excelente”, destaca o coordenador, acrescentando que a pluralidade envolve, ainda, os espaços públicos e de integração social, além de estímulo à formalidade.

ETAPAS

A certificação Aqua Bairro considera as fases de planejamento, projeto e obra. Após a entrega aos compradores, é possível prosseguir com a certificação de operação. “A certificação do planejamento até a entrega envolve o programa, a concepção e a realização. É necessário um sistema de gestão do bairro e mais alguns elementos que acabam compondo uma revisão de nossa cultura urbanística”, afirma Manuel Martins. Na etapa do programa é preciso formalizar a estrutura de coordenação do empreendimento e os estudos de competência. É exigida do empreendedor uma análise do projeto com diagnóstico completo e compartilhado. “Dependendo das dimensões do empreendimento, o diagnóstico pode corresponder ao estudo de impacto ambiental. Nos menores, se faz apenas diagnóstico”, diz. O empreendedor terá que compor a equipe e fazer um balanço da participação das partes interessadas, e um relatório com a justificativa sobre a pertinência do empreendimento para aquele local. Depois, entrará na hierarquização e definição dos objetivos, onde vai estabelecer a que níveis o projeto chegará com relação aos indicadores.

Na etapa da concepção do projeto o empreendedor aprofunda a questão ambiental, procurando resolver todos os aspectos envolvidos para que a execução ocorra sem sobressaltos. “Será elaborado um plano com registro das ações, um resumo da avaliação ambiental, econômica e social com as justificativas de escolhas de projeto”, expõe o coordenador.

Já na fase de realização, o dono do empreendimento deve demonstrar como estão os contratos de todos os participantes; como é feito o controle do resultado da administração da execução do empreendimento; orientações para uso de equipamentos urbanos; e demonstração de que foi um projeto acompanhado por profissionais qualificados e que atendem aos critérios legais. “A obra também deve ter um plano de gestão do canteiro, bem planejado e realizado, além de um registro de tudo o que foi feito”, acrescenta. “A última etapa é o balanço: mostrar como foi, o que conseguiu implementar e o que ele aprendeu para fazer melhor no próximo empreendimento”, completa Manuel Martins.

Após obter o certificado Aqua, o condomínio, loteamento ou o bairro deverá ter um sistema de gestão ambiental que garanta o controle da operação, de forma a manter e melhorar o desempenho.

Original pela redação Redação AECweb / e-Construmarket está aqui.

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Sobre Carlos Galassi

Arquiteto formado pela FAU/UFBa, possui especialização (MBA) em Gerenciamento de Projetos na FGV. Tem ampla experiência na implantação, gerenciamento e manutenção predial de empreendimentos de grande porte da Construção Civil, já tendo desempenhado estas atividades fora do Brasil. Além de Desenvolvedor e Editor do BIG, atua como Voluntário no PMI Capítulo Bahia como Diretor de Comunicação e Marketing e é sócio da OCA Solutions, empresa de consultoria empresarial.

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