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Compatibilizar projetos - mais que uma ferramenta que garante o sucesso de uma obra.

Compatibilizar projetos reduz custo da obra

Compatibilizar projetos é uma importante ferramenta multidisciplinar que abrange todas as áreas envolvidas em uma construção, mas precisa que um especialista esteja liderando o processo.

O termo é pouco conhecido pelos não especialistas, mas a chamada compatibilização de projetos de engenharia é tendência em crescimento na construção civil. O motivo é simples: a construção de qualquer edificação exige uma série de projetos – topográfico, estrutural, hidrossanitário, elétrico, de refrigeração, arquitetônico, entre outros. Na maior parte dos casos, esses projetos são feitos separadamente, o que aumenta as chances de conflito se o problema for identificado apenas durante a obra. Isso exige alterações de última hora ou até a quebra de estruturas já construídas para adaptação. A compatibilização consiste justamente em sobrepor da melhor forma possível todos os projetos antes do início da construção, evitando o retrabalho.

Compatibilizar projetos requer investimentos que podem representar de 1% a 1,5% do custo da obra, mas gera diminuição de despesas que varia de 5% a 10% desse mesmo custo. Além de reduzir o tempo gasto no canteiro de obras, os ganhos são garantidos pela redução do desperdício e eliminação do retrabalho. A previsibilidade também garante diminuição do desperdício de material e conquista de tempo durante as obras. “O importante é que haja organização das ações e preocupação com a gestão dos processos para garantir que o tempo gasto na compatibilização seja o mínimo necessário para um bom trabalho”, diz a arquiteta Patrizia Chippari, que na entrevista a seguir detalha como funciona essa ferramenta multidisciplinar. Confira:

O que é a compatibilização de projetos?
A compatibilização é feita pela sobreposição dos desenhos dos diversos projetos necessários para uma obra. O processo de compatibilização é multidisciplinar e envolve, além do projeto arquitetônico, os diversos projetos de engenharia. É, portanto, uma atividade que tem como resultado a integração das interfaces entre os projetos do edifício, com o objetivo de resolver com sucesso os problemas históricos da fragmentação dos projetos no setor de edificações e reduzir – ou até eliminar – alguns dos seus principais problemas: as interferências físicas e perdas de funcionalidade, que geram retrabalho no canteiro de obras, decorrentes da incompatibilidade de projetos. A intenção do trabalho é detectar e corrigir falhas relacionadas às interferências e inconsistências físicas entre os vários elementos da obra, visando o perfeito ajuste entre os projetos com o objetivo de minimizar os conflitos existentes, simplificando a execução, otimizando e racionalizando os materiais e o tempo de construção.

A compatibilização é feita pela sobreposição dos desenhos dos diversos projetos necessários para uma obra. O processo de compatibilização é multidisciplinar e envolve, além do projeto arquitetônico, os diversos projetos de engenharia.

Seria possível citar exemplos?
Se o projeto arquitetônico contempla uma pérgola metálica atirantada como solução de cobertura para o terraço de um apartamento, o projeto estrutural também deve contemplar reforços nas vigas de concreto que sustentarão os tirantes dessa cobertura metálica. Na obra, essa solução seria impossível. Outro exemplo: promover a interface entre o projeto hidrossanitário e o estrutural. É muito comum que uma tubulação hidráulica que caminha na horizontal encontre uma viga de concreto. Na fase de projeto é perfeitamente possível desviar essa tubulação ou prever uma furação na viga de concreto. No canteiro de obras, solucionar essa falta de compatibilidade certamente acarretará em custos não previstos. Outro exemplo é a escolha antecipada do tamanho do piso cerâmico que será utilizado nos banheiros e sua compatibilização com a posição do ralo. Se a interface for pensada corretamente, o ralo ficará posicionado exatamente na quina de um piso cerâmico, evitando cortes desnecessários na cerâmica e desperdício de material, além da garantir um efeito estético muito melhor.

Quais as vantagens da compatibilização de projetos?
As principais são:

  • Permite antever os problemas e retrabalhos que aconteceriam no canteiro de obras, frutos da falta de compatibilidade entre os projetos.
  • Possibilita rever soluções, ainda na fase de projeto, que façam com que os problemas relatados acima não aconteçam e, com isso, o custo previsto da obra se mantenha.
  • Após a compatibilização, todos os projetos são detalhados, inclusive o arquitetônico, permitindo que o orçamento da obra seja feito com uma ordem de grandeza bem próxima ao real, e não de forma estimativa.
  • Garante que o projeto arquitetônico seja executado de acordo com o que o arquiteto idealizou, sem alterações da sua concepção durante a obra por conta da falta de compatibilidade.
  • Permite a interferência do incorporador em todas as decisões técnicas de cada projeto, que influenciarão diretamente o custo da obra e, consequentemente, suas margens de lucro.
  • Melhora o controle dos prazos de uma obra.

No Brasil, a compatibilização já é usual em que tipo de obras?
A compatibilização é uma prática que começa a ganhar espaço no Brasil. Por enquanto, é usada principalmente em edifícios residenciais e comerciais.

Normalmente, qual o perfil do profissional contratado para fazer a compatibilização de projetos e como ele opera isso?
O profissional responsável pela compatibilização de projetos precisa ter sólidos conhecimentos na área de projetos e ter capacidade de organização para gerir o trabalho de diferentes profissionais ou equipes. Ele será o responsável por coordenar a atuação dos projetistas e coordenar todas as alterações necessárias para garantir que a sobreposição de todos os projetos ocorra da forma ideal.

As construtoras brasileiras já estão atentas à vantagem da compatibilização ou ainda são poucas que a praticam?
Essa é uma prática crescente. À medida que conhecem os benefícios da compatibilização (diminuição do retrabalho, economia de material, maior controle de prazos e orçamento) mais e mais construtores aderem a ela.

Na média, as obras no Brasil costumam sofrer atraso no cronograma. Por quê?
Uma das causas mais comuns de atraso nas obras é o surgimento de imprevistos que exigem adaptações inesperadas no canteiro de obras. A compatibilização garante o fim dessas “surpresas”. Além disso, boa parte das razões de atrasos em obras advém da falta de um planejamento adequado. Nesse sentido, pode-se dizer que o planejamento do desenvolvimento dos projetos, em sintonia com o cronograma, tem um papel significativo no controle do cronograma da obra.

Como o profissional da construção civil se especializa em compatibilização de projetos, há cursos?
Há inúmeros cursos de gestão de projetos em que se trata da questão da gestão de forma abrangente. A compatibilização de projetos é um item e, nesse caso, não há curso específico.

Além de arquitetos e engenheiros, há outros profissionais que podem se especializar em compatibilização de projetos?
O profissional compatibilizador deve ter o olhar treinado e conhecimento das soluções técnicas que envolvam um projeto executivo. Além disso, é necessário estar cercado de ferramentas de gestão eficientes que garantam a administração dos recursos humanos e prazos envolvidos conforme o planejamento. Por isso, o comum é que o trabalho seja executado por arquitetos ou engenheiros.

O profissional compatibilizador deve ter o olhar treinado e conhecimento das soluções técnicas que envolvam um projeto executivo.

 Notas e Referências

A entrevista original por Altair Santos com a arquiteta Patrizia Chippari no Massa Cinzenta você encontra aqui.

Quer saber um pouco mais sobre compatibilização e coordenação de projetos na construção civil? Então recomendamos a leitura dos seguintes artigos:

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Sobre Carlos Galassi

Arquiteto formado pela FAU/UFBa, possui especialização (MBA) em Gerenciamento de Projetos na FGV. Tem ampla experiência na implantação, gerenciamento e manutenção predial de empreendimentos de grande porte da Construção Civil, já tendo desempenhado estas atividades fora do Brasil. Além de Desenvolvedor e Editor do BIG, atua como Voluntário no PMI Capítulo Bahia como Diretor de Comunicação e Marketing e é sócio da OCA Solutions, empresa de consultoria empresarial.

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