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Coordenador, o maestro do empreendimento

Profissional deve conduzir projetistas para atender a demanda da construtora e do cliente, além de se apoiar em ferramentas de comunicação via web.

“O maior desafio do gerente de Projetos é coordenar um grande número de empreendimentos simultâneos em diferentes fases de produção, da concepção à finalização da obra, passando por etapas específicas de execução”, afirma o arquiteto Sérgio Salles, gerente de Projetos da SGO Construções, com sede em Belo Horizonte, que coordena neste momento 18 obras comerciais e industriais de grande porte, em vários pontos do país. Mestre em construção civil com enfoque em gestão de projetos pela Universidade Federal de São Carlos, Salles comenta, ainda, a importância das ferramentas de comunicação via web para a atualização das dezenas de projetistas envolvidos em cada obra. Para ele, o gerente de Projetos é o ‘maestro’ de uma grande orquestra.

AECweb – Quantas obras estão sob a sua coordenação, hoje?
Salles –
 São 18 obras comerciais e industriais em andamento, lembrando que a SGO tem abrangência nacional. O principal foco são os condomínios de logística para locação, com toda a infraestrutura necessária, como prédios de apoio, portaria, restaurante, além dos galpões.

AECweb – Quais as metodologias de gestão que você utiliza?
Salles –
 Uso metodologias como Projeto Simultâneo e, também, a do professor doutor Marcio Fabrício, da USP. Uma boa coordenação de projetos prioriza a organização aliada ao uso de ferramentas de comunicação com os diversos projetistas. É fundamental, no entanto, conseguir coordenar os projetos de diversos empreendimentos, cada um numa fase diferente, com suas demandas específicas de projeto e necessidades da obra. Lido aqui com projetos de obras que estão para se iniciar, com outros já em fase de finalização e outros ainda em processo de execução. Dependendo da etapa do empreendimento, há um número maior ou menor de especialistas envolvidos.

AECweb – O departamento conta com quantas equipes?

Salles – Nosso departamento de gestão é constituído por três equipes de arquitetura, cada uma com um arquiteto e dois auxiliares; uma equipe de engenharia; um profissional de apoio para a coordenação de projetos; outro que dedica a organizar as alterações e novos projetos no Construmanager; e as equipes externas de projetistas que, dependendo da obra, pode chegar a 20 empresas diferentes. Uma obra de shopping center demanda uma equipe multidisciplinar muito maior, enquanto que um centro de logística requer projetistas de estrutura metálica, pré-moldado, fundação, piso de concreto, elétrica, cabeamento estruturado, telefonia, entre outros.

AECweb – Como coordenar esse grande número de projetos de obras em fases diferentes?

Salles – Utilizando, principalmente, a tecnologia da informação – no nosso caso, o Construmanager – e, também, sistemas internos de comunicação para integrar os vários atores do processo. No passado, já foi mais difícil: comunicávamos tudo através de e-mail ou FTP, porque não havia ferramenta disponível para organizar toda a documentação de projetos e planilhas. Era muito complicado e dependia mais do profissional que coordenava. Os sistemas colaborativos de internet, que ganharam força há cerca de seis ou sete anos, facilitou bastante.

AECweb – Caiu o risco de erro por falta de comunicação?
Salles –
 Exemplifico com uma obra que temos de um centro de distribuição que chegou a ter mais de 800 pranchas – considerando aí somente as últimas revisões. Imagine todo esse volume de informação que precisa circular entre as equipes, sem a gestão on line. Portanto, caiu o risco de erro no que diz respeito à disponibilização das últimas versões para os projetistas, que compatibilizam os projetos complementares e a obra.

AECweb – Qual o perfil do profissional de coordenação de projetos?
Salles –
 Precisa ser um profissional que consiga utilizar os recursos de informática disponíveis – isso é pré-requisito; que tenha facilidade de comunicação com os projetistas e atue, como um maestro, conduzindo todos os projetistas para atender a demanda da construtora e do cliente. Ele deve, também, ter a habilidade de decidir com agilidade sobre as questões pendentes.

AECweb – Como a SGO trata a obtenção de licenças junto aos órgãos públicos?

Salles – Temos uma equipe de arquitetura responsável pelo licenciamento junto a prefeitura. Como nossa atuação é nacional, dependendo do Estado, contratamos empresas especializadas na obtenção das licenças ambiental, de transporte e outras.

AECweb – As exigências da sustentabilidade pedem mais do gestor de projetos?

Salles – Sim. Hoje, um empreendimento pode ser sustentável por si próprio, mas muitos clientes já fazem exigência de certificação do tipo LEED, do GBC, ou AQUA, da Fundação Vanzolini. Para conseguirmos uma certificação, precisamos, desde o início do processo, estar envolvidos com as inúmeras exigências para chegarmos a um projeto integrado e que responda aos quesitos dos organismos certificadores. Portanto, as necessidades do gerenciamento de projetos são ampliadas. Até o momento, não temos nenhum empreendimento que buscou o selo, mas sob demanda do cliente nós o faremos. Estamos preparados para isso. É comum, porém, que diante da complexidade da certificação, alguns clientes desistam no meio do caminho ou posterguem a decisão.

Publicação original na AECweb você encontra aqui.

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Sobre Carlos Galassi

Arquiteto formado pela FAU/UFBa, possui especialização (MBA) em Gerenciamento de Projetos na FGV. Tem ampla experiência na implantação, gerenciamento e manutenção predial de empreendimentos de grande porte da Construção Civil, já tendo desempenhado estas atividades fora do Brasil. Além de Desenvolvedor e Editor do BIG, atua como Voluntário no PMI Capítulo Bahia como Diretor de Comunicação e Marketing e é sócio da OCA Solutions, empresa de consultoria empresarial.

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