BIG News
Home / Projetos e Construção / Maior prédio do Brasil é referência à engenharia

Maior prédio do Brasil é referência à engenharia

Com 170m de altura, Palácio W. Zarzur foi um dos primeiros arranha-céus do mundo a ser totalmente construído em concreto armado.

De qualquer ponto que se esteja no Vale do Anhangabaú, na capital paulista, pode-se ver o Palácio W. Zarzur. Popularmente chamado de Mirante do Vale, o edifício com 170 metros de altura e 51 andares, inaugurado em 1966, ainda é o mais alto arranha-céu do Brasil. Também foi um dos primeiros edifícios do mundo, entre os que ultrapassaram os 100m de altura, a ser totalmente construído em concreto armado. Referências técnicas revelam que foram consumidos 20 mil m³ de concreto e 5 mil toneladas de ferro na obra do empreendimento.

O engenheiro civil Waldomiro Zarzur, que empresta o nome ao prédio, afirma que a construção em concreto armado foi uma inovação para a época. “Construíam-se prédios em concreto armado com no máximo oito andares. Os arranha-céus tinham suas estruturas em aço. Mas, na época, construir um prédio com esse material era inviável economicamente, pois era preciso importar. Ainda não se fabricava aço para a demanda da construção civil no Brasil”, recorda Zarzur, hoje com 91 anos.

O projeto original do edifício previa que ele teria altura máxima de 80 metros. No entanto, conforme a imponente obra foi se destacando no centro de São Paulo, o então prefeito Adhemar de Barros autorizou que ultrapassasse os 100 metros. Waldomiro Zarzur, para prestar uma homenagem ao seu sócio, o também engenheiro Aron Kogan – morto em 1960 -, esforçou-se para que o empreendimento se transformasse no mais alto da América Latina, atingindo 170 metros (hoje é o 18.º mais alto do continente).

Inaugurado com o nome de Palácio Zarzur & Kogan, o prédio mudou de nome na década de 1970, depois dos incêndios trágicos nos edifícios Andraus e Joelma. “Houve uma campanha difamatória de que ele era vulnerável a uma tragédia”, lamenta Zarzur. Por causa disso, a edificação passou a se chamar Mirante do Vale e, em 2009, foi rebatizado com o nome de Palácio W. Zarzur. Mantendo-se intacta, a obra é até hoje uma referência para a construção civil. Suas estacas, que têm 20 metros de profundidade, são citadas, por exemplo, como o “estado da arte” em estudos sobre fundações de edifícios.

As inovações construtivas usadas no Palácio W. Zarzur consolidaram a carreira do engenheiro Waldomiro Zarzur. Hoje, seu grupo, o W. Zarzur – uma das mais tradicionais construtoras do país – já viabilizou perto de 300 obras e contabiliza aproximadamente 6 milhões de m² construídos. A empresa, que já está na terceira geração de engenheiros da família Zarzur, atualmente engloba negócios nas áreas de incorporação imobiliária, construção civil, loteamento e hotelaria, além de atuar nos ramos de agronegócio, logística e energia.

Para Waldomiro, o sucesso, em grande parte, teve origem na prática didática de se exercer a engenharia civil. “A empresa possui uma cartilha de bem construir”, diz. O edifício Palácio W. Zarzur é a prova disso.

Reportagem original por Altair Santos no Massa Cinzenta você encontra aqui.
 

Comentários

comentário(s)

Sobre Carlos Galassi

Arquiteto formado pela FAU/UFBa, possui especialização (MBA) em Gerenciamento de Projetos na FGV. Tem ampla experiência na implantação, gerenciamento e manutenção predial de empreendimentos de grande porte da Construção Civil, já tendo desempenhado estas atividades fora do Brasil. Além de Desenvolvedor e Editor do BIG, atua como Voluntário no PMI Capítulo Bahia como Diretor de Comunicação e Marketing e é sócio da OCA Solutions, empresa de consultoria empresarial.

Confira também

Legislações sustentáveis

Em terceiro lugar no ranking mundial, o Brasil é uma das nações mais avançadas em quantidade …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *