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O Método da Corrente Crítica

Mantendo a mesma filosofia de artigo publicado sobre as vantagens da certificação PMP, e principalmente toda discussão que foi gerada em torno desta, acredito que continua sendo  interessante compartilhar os trabalhos desenvolvidos ao longo do meu MBA em GP. Então aqui vai mais um, onde falamos um pouco sobre os Métodos da Corrente Crítica e do Caminho Crítico. Espero que gostem! CG.

 Introdução

O gerenciamento de projetos tem se tornado cada vez mais importante para empresas de todos os tipos e tamanhos, onde os projetos podem ser desenvolvidos em todos os níveis da organização e com variados propósitos. É exatamente por conta das características dos projetos, ou seja, não repetitivo, com duração e orçamento determinados e tendo um produto único como resultado, que o seu valor estratégico tem se mostrado cada vez mais de elevada importância.

Infelizmente, apesar de todos os avanços, de toda a tecnologia acumulada e de todos os estudos já realizados e publicados em torno do tema gerenciamento de projetos, os projetos continuam falhando em alcançar seus objetivos (COOKE-DAVES, 2002).

Administrar as incertezas inerentes aos projetos continua tarefa difícil de realizar, levando a projetos que ultrapassam suas metas de escopo, prazo e custo.

Um dos maiores avanços e inovações na área de gerencia de projetos é a chamada Corrente Crítica, metodologia desenvolvida por Eliyahu Goldratt.

Método da Corrente Crítica x Método do Caminho Crítico

Surgidos nos anos 50, a técnica das redes de precedências formado pelo conjunto PERT/CPM é o conceito mais tradicional aplicado no gerenciamento de projetos. Segundo Prado (1988) é uma tpecnica que permite analisar aspectos de tempo, custos e recursos e baseia-se na representação do projeto por meio de uma rede, onde as atividades, representadas por flechas ou blocos, indicam as relações de correspondência entre os eventos importantes do projeto.

Após a determinação de todas as atividades, suas relações e durações, são definidas as interligações de todas estas, montando-se assim a rede que define o projeto. A duração do projeto será igual a soma dos tempos das atividades, onde o caminho mais longo ouj o mais desfavorável para o projeto é considerado o seu caminho crítico.

Esta técnica permite determinar até que ponto uma atividade depende da execução da outra. Pode oferecer ainda as conseqüências das falhas e determina as folgas existentes ou exigidas pelas diferentes atividades que compõe o projeto.

Em 1984 Golddratt publica o livro A Meta, onde sob forma de romance é apresentada a filosofia gerencial chamada de Teoria das Restrições (TOC – Theory of Constrains), que o próprio a define como uma filosofia global de gerenciamento empresarial que tem como propósito promover a contínua melhoria do desempenho esperado de qualquer organização, que tenha uma meta bem definida, através de soluções que enfocam suas poucas restrições (Goldratt, 1991).

A idéia fundamental desta teoria é que todo o sistema tangível deve ter pelo menos uma restrição. Uma restrição num sistema é qualquer coisa que impeça o mesmo de alcançar seus objetivos (Noreen, 1996), sendo esta restrição quem dita o ritmo do sistema, ou seja, comparando um sistema a uma corrente, a restrição é o seu elo fraco. Para se aumentar a resistência da corrente, os esforços devem ser concentrados justamente neste elo, não adiantando qualquer esforço em outro elo.

Com base na TOC Golddratt desenvolve no anos 90 a metodologia da Corrente Crítica, que traz uma nova abordagem e métodos para estimativas de tempo, de enfoque das atividades, de monitoração dos projetos e de formação de rede de precedência, pois foca principalmente no tratamento das incertezas e dos riscos envolvidos num projeto.

Devido as essas incertezas, os tempos estimados para cada etapa de um projeto são sempre muito maiores que o valor médio esperado. Mesmo com estimativas pessimistas bem acima da média, Golddratt identifica mecanismos (Síndrome do estudante, fenômeno da multi-tarefa e Lei de Parkinson) que acabam consumindo estas folgas. Para amenizar estes mecanismos, a metodologia da corrente crítica utiliza o processo de enfocar, onde são criados pulmões para o projeto (que protege a data de conclusão do projeto), para o tempo (nos pontos onde outros caminhos críticos da rede se juntam ao caminho crítico) e para os recursos (que garante que os recursos necessários no caminho crítico estarão disponíveis no momento necessário).

Com isso a rede de precedência é formada obedecendo as restrições de tempo e de recursos, sendo a corrente crítica a seqüência pela qual não pode ocorrer nenhum atraso em nenhuma atividade, devendo ser priorizada na administração das tarefas.

São percebidos três pontos chaves quando discutidas e comparadas estas duas metodologias:

  • O comportamento humano: o caminho crítico negligencia o comportamento humano, enquanto a corrente crítica considera e prevê ações com base neste comportamento;
  • Momento de início das atividades: no PERT/CPM as atividades são programadas para começar assim que possível com base na data de início do projeto; na Corrente Crítica, as atividades devem começar o mais tarde possível, baseadas na data de termino do projeto, que só é possível graça a inserção dos pulmões nos pontos chave do projeto;
  • Identificação do caminho crítico: o PERT/CPM considera o caminho crítico como mais longo a ser percorrido; na Corrente Crítica o caminho crítico é definido como a cadeia mais longa baseada na dependência das atividades e dos recursos. Esta metodologia reconhece que um atraso na disponibilidade do recurso pode atrasar o projeto, não apenas quando há um atraso nas atividades dependentes.

Nível de disseminação do método da Corrente Crítica no Brasil e no mundo

Apesar da sua recente criação, a metodologia da Corrente Crítica vem ganhando adeptos em todo mundo e no Brasil e em praticamente todos níveis de projetos, desde os mais complexos de engenharia e infra-estrutura como para projetos pessoais. Um belo exemplo é artigo publicado na Revista Mundo PM (Editora Mundo, nº 37) onde Alonso Soler descreve a aplicação do método no planejamento da sua participação na corrida São Silvestre de 2010.

Vantagens da utilização de tal método

Percebemos que existem muitas vantagens no uso da Corrente Crítica pois esta considera, além das incertezas e riscos envolvidos nos projetos, os recursos que são necessários e os impactos que podem existir no projeto no caso da falta destes. Outros grandes ganhos em relação ao PERT/CPM estão na forma de medição do progresso do projeto, mais lógica, e o de não negligenciar o comportamento humano durante a execução do projeto.

Conclusão

Acredito não ser incorreto afirmar que a Corrente Crítica é uma evolução ou aprimoramento, por assim dizer, da metodologia do Caminho Crítico, que foi durante muito tempo a principal metodologia aplicada no gerenciamento de projetos. É natural que com o decorrer do tempo sejam percebidos determinados aspectos em procedimentos que precisam ser ajustados e melhorados visando resultados mais satisfatórios, situação esta que pode acontecer no futuro quando mais projetos tenham sido planejados e executados com a Corrente Crítica.

 

Comentários e sugestões são sempre bem vindos!

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Sobre Carlos Galassi

Arquiteto formado pela FAU/UFBa, possui especialização (MBA) em Gerenciamento de Projetos na FGV. Tem ampla experiência na implantação, gerenciamento e manutenção predial de empreendimentos de grande porte da Construção Civil, já tendo desempenhado estas atividades fora do Brasil. Além de Desenvolvedor e Editor do BIG, atua como Voluntário no PMI Capítulo Bahia como Diretor de Comunicação e Marketing e é sócio da OCA Solutions, empresa de consultoria empresarial.

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