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PIB da construção deve crescer 4% em 2012

Para 2013, a previsão é de que o setor acompanhe o PIB do País, com crescimento entre 3,5% e 4%. Investimento maior no setor de infraestrutura vai resultar em melhor desempenho.

O Produto Interno Bruto (PIB) da construção deve crescer cerca de 4% em 2012 em relação a 2011, segundo perspectiva do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP). No início de 2012 a previsão apontava um crescimento de 5%, mas o desempenho do setor ao longo do ano ficou abaixo do esperado pelo sindicato.

A alta de 4% está acima da projeção para o PIB do País este ano – que deve crescer 1,6% -, mas ainda fica abaixo da evolução do PIB setorial de 2011, quando a construção cresceu 4,8% sobre 2010.

Para 2013, a expectativa é de que o PIB do setor acompanhe o PIB brasileiro e cresça entre 3,5% e 4%. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (28) em coletiva de imprensa na sede do SindusCon-SP.

Lançamentos e emprego

O levantamento mostra que houve queda no número de lançamentos imobiliários entre janeiro e setembro de 2012, pois muitas incorporadoras concentraram suas atenções na venda de estoques.

As contratações com carteira assinada também evoluíram em ritmo mais lento que o observado em 2011 e fecharam outubro com queda leve, como mostra o gráfico abaixo.

No acumulado do ano até outubro, 2012 soma 240.317 empregos, enquanto o ano anterior contabilizava 314.645 contratações no mesmo período, e 2010 somava 615.319 profissionais contratados.

A taxa de crescimento do emprego, acumulada até outubro de 2012, foi de 6,6%, mas a previsão é de que o indicador feche o ano em 5,9%. Além disso, as contratações da área de infraestrutura superaram consideravelmente as do setor imobiliário.

Crédito

O levantamento do SindusCon-SP mostra ainda redução no ritmo de expansão do crédito imobiliário com recursos da poupança. No acumulado do ano até setembro de 2012, haviam sido contratadas 458,8 mil unidades, uma queda de aproximadamente 5,1% em relação às unidades financiadas no mesmo período de 2011 (483,5 mil). Os dados englobam tanto crédito à produção quanto ao comprador final.

Em valores contratados, houve crescimento modesto: de R$ 75,6 bilhões acumulados entre janeiro e setembro de 2011 para R$ 79,7 bilhões no mesmo período de 2012, alta de 5,4%. Entre 2010 e 2011 este crescimento havia sido de cerca de 50%.

O desempenho fraco do crédito se choca com o movimento de redução de taxas de juros e alongamento de prazos para o financiamento, encabeçado pela Caixa Econômica Federal e pelo Banco do Brasil. Para Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia do SindusCon-SP, esse já é um sinal claro da estabilização da demanda, que deve continuar sólida, mas com crescimento mais lento. “Não adianta encharcar o mercado com crédito se a demanda é essa”, disse.

Zaidan acrescenta que os números foram afetados também pelo aumento do valor dos imóveis. “O valor médio financiado por contrato é maior em 2012 do que no ano passado, então houve um decréscimo no número de unidades financiadas e um acréscimo no valor de cada contrato”, analisa.

Entre os fatores que desaceleraram o crescimento do setor, o SindusCon-SP soma ainda as complicações nos trâmites burocráticos para aprovação de projetos nas prefeituras e a diminuição dos desembolsos do BNDES para infraestrutura. De janeiro a setembro de 2012 foram desembolsados R$ 49,1 bilhões, frente aos R$ 56,1 bilhões do mesmo período de 2011.

Perspectivas

Para 2013, o sindicato estima que os investimentos em infraestrutura cresçam mais acentuadamente. “Esperamos que os investimentos serão fortalecidos e há razões sólidas pra acreditar que isso vai acontecer”, afirma Ana Maria Castelo, coordenadora de construção civil da Fundação Getulio Vargas e responsável pela elaboração do estudo do SindusCon.

“O que está em jogo não são só os dois anos finais do governo Dilma. Todos os diagnósticos traçados hoje indicam que se o investimento em infraestrutura não crescer, vai ser difícil sustentar a taxa de crescimento do País”, diz a pesquisadora. “O Brasil não vai conseguir crescer apenas com base no consumo. E temos uma sinalização positiva do governo nesse sentido, pois ele já indicou que pretende destravar os problemas de gestão da infraestrutura. As PPPs podem ser uma solução para melhorar essa variável”.

Os lançamentos também devem voltar a crescer em 2013, mas em ritmo lento. No segundo semestre de 2012 o emprego nas áreas de preparação de terrenos (como terraplanagem, sondagem, fundações etc.) sofreu uma queda acentuada e terminou outubro com índice negativo, como mostra o gráfico abaixo.

Para Ana Maria Castelo, isso indica que a recuperação dos lançamentos deve ser vagarosa no início do ano, e que a reversão deste cenário é esperada apenas para o segundo semestre de 2013.

Por fim, a taxa de investimento da economia deverá ficar em 17,5% do PIB em 2012, com 45% de participação da construção civil neste indicador. Em 2013, poderá haver uma recuperação da taxa de investimento, que deve ficar em 18,8% do PIB, com participação da construção de 42%.

Original por Pâmela Reis na revista Construção Mercado está aqui.

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Sobre Carlos Galassi

Arquiteto formado pela FAU/UFBa, possui especialização (MBA) em Gerenciamento de Projetos na FGV. Tem ampla experiência na implantação, gerenciamento e manutenção predial de empreendimentos de grande porte da Construção Civil, já tendo desempenhado estas atividades fora do Brasil. Além de Desenvolvedor e Editor do BIG, atua como Voluntário no PMI Capítulo Bahia como Diretor de Comunicação e Marketing e é sócio da OCA Solutions, empresa de consultoria empresarial.

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