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Regionalização é saída para grupos familiares

Sem contar com aportes estrangeiros, empresas de capital fechado se organizam para sobreviver no mercado através da fidelização da região

Para concorrer em um mercado dominado por nomes como Gafisa, Brookfield, MRV,  empresas regionais de construção civil apostam na intensificação dos aportes em determinadas regiões. É o caso da sulista Torresani Holding, que espera crescer 215% este ano e lançar quase duas mil unidades habitacionais. No mesmo ritmo, a sergipana Cosil viu seu valor geral de vendas  (VGV) crescer 17% no ano, focada no mercado local.

“Este crescimento é devido a novas áreas em que a holding está atuando. Entramos no mercado de construção de projetos financiados pelo Minha Casa Minha Vida com mais de 4000 unidades e condomínios logísticos. Estes empreendimentos aumentaram sobremaneira o VGV da empresa neste ano”, afirma Valter Luiz Torresani, presidente da holding.

Sem investimento estrangeiro a holding hoje conta com aportes vindos dos sócios da empresa, e a expectativa é chegar este ano ao faturamento na casa dos R$ 250 milhões. “Em 2011 tivemos um faturamento consolidado de cerca de  R$ 83 milhões”, diz.

E uma das apostas para concretizar os planos de crescimento da empresa está na construção de condomínios logísticos. “Este é um mercado novo que estamos iniciando agora. A expansão da estrutura de logística do País, especialmente nas regiões de portos, vai demandar uma necessidade de espaços para uso das empresas”, detalha. Torresani explica ainda que há muitas oportunidades na região de Santa Catarina. “Havia um crescimento exponencial no Estado de Santa Catarina pelos incentivos fiscais dados às importações que não esta mais em vigor. Isso pode prejudicar um pouco a expansão, pois a concentração de empresas nas áreas portuárias do estado pode se deslocar a todo o Brasil, mas ainda não é regra pois o estado tem oferecido outras vantagens para que as empresas aqui se instalem. Aguardaremos esta evolução para analisar outros lançamentos”, completa.  Dentre os empreendimentos de maior destaque, estão os condomínios logísticos nas cidades de Gaspar e Navegantes. As empresas de logística do grupo investiram nestes projetos, que têm, somados, valor de venda de R$ 85 milhões.  “Os motivos geradores da expansão do mercado imobiliário nos últimos anos ainda estão presentes na economia: o déficit habitacional continua expressivo e os investimentos neste mercado ainda são atrativos. A resultante destes dois fatores principais garante crescimento sustentado por mais um período”, diz Jorge Kuser, consultor da Go4 Consultoria de Negócios.

Energia

Outro setor de investimento das empresas da holding são as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs ), que geram energia limpa, renovável, sem impactos ecológicos negativos. Na Usina de Tambaú (8,8 MW), por exemplo, a quarta pequena central hidrelétrica do Grupo, entregue recentemente, não houve a formação de lago algum. “A obra de R$ 42 milhões levou um ano e meio para ser finalizada. Além deste, participamos de  nove outros projetos na área”, explica Torresani.

De acordo com o executivo, a empresa participa, ainda, do desenvolvimento de 21 projetos eólicos localizados nos Estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Esses projetos deverão estar concluídos até o fim deste ano.

A empresa, fundada em 1989 no Vale do Itajaí, sempre contou com recursos próprios e tem como foco a classe média, área que se expandiu para outras cidades do estado. “Hoje atuamos em Blumenau, Gaspar, Timbo, Indaial, Joinville, Rio do Sul e Chapecó”, completa o executivo.

Regionalização pode ser saída

Para o professor Arnaldo Buscarino, da Universidade de São Paulo (USP), a saída encontrada pelas empresas para ganhar mercado é promissora.  “Acredito que, para competir com megaempresas, o diferencial está tanto na fidelização da marca local quanto em inovações no modo de construir”, detalha o acadêmico.

Buscarino revela ainda que mercados como o paulista e o carioca estão mais sobrecarregados, mas oportunidades há em todos os estados. “Há 20 anos eu diria que é em São Paulo e no Rio de Janeiro que as construtoras precisariam  focar; hoje essa informação já está desatualizada. Boas oportunidades de negócios não faltam no País.”

Na outra ponta

A quase  3 mil quilômetros de distância de Santa Catarina, a sergipana  Cosil, também registrou bons números em 2011.

Nos doze meses a empresa entregou 400 apartamentos, que já somam aproximadamente 800 unidades  nos últimos dois anos, o que representa alta do VGV na casa dos  17%.

E, para ganhar o mercado de Sergipe, a aposta da empresa foi o  Neo Jardins, que une espaço comercial e residencial, o chamado  multiúso (mixed use), tendência que cresce rapidamente, com o objetivo de unir moradia ao trabalho num único complexo.

“Foi uma grande inovação para Aracaju. Em quinze dias foram contabilizados 20% de vendas realizadas no condomínio comercial e 40% no residencial”, afirmou Jéssica Silva, diretora-comercial da construtora.

O VGV do empreendimento chegou a R$ 180 milhões. O Neo Jardins tem 208 unidades habitacionais, oferece o formato dúplex, com unidades de dois andares, de 86 a 197 m².

De acordo com Silva,  o ano foi encerrado com 23 torres em construção, totalizando mais de 3.000 apartamentos. “Foi um período de gargalos na construção civil, mas conseguimos criar uma equipe engajada e coesa, que nos garantiu boa performance no mercado”, diz.

A executiva ressalta que a empresa contou com ações internas que apoiaram os resultados positivos, como na área de relacionamento com clientes, com a implantação do call center, o projeto Guardião do Cliente, a implantação do customer relationship management (CRM) entre outras. Em 2012 há boas previsões. “Além da segunda fase do Neo Jardins Residence, temos três lançamentos em Aracaju, entre os quais está o loteamento Reserva Aimoré, e outros dois em Recife e São Paulo”, pontua a diretora.

Original por Paula Cristina está aqui.

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Sobre Carlos Galassi

Arquiteto formado pela FAU/UFBa, possui especialização (MBA) em Gerenciamento de Projetos na FGV. Tem ampla experiência na implantação, gerenciamento e manutenção predial de empreendimentos de grande porte da Construção Civil, já tendo desempenhado estas atividades fora do Brasil. Além de Desenvolvedor e Editor do BIG, atua como Voluntário no PMI Capítulo Bahia como Diretor de Comunicação e Marketing e é sócio da OCA Solutions, empresa de consultoria empresarial.

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